Como as empresas estão se adaptando?
A escassez de especialistas em inteligência artificial (IA) no Brasil tem se consolidado como um dos principais desafios para empresas que desejam inovar, automatizar processos e se manter relevantes diante da transformação digital. Embora a adoção da IA já faça parte da estratégia de muitas organizações, a formação de talentos não acompanha o ritmo da demanda. Segundo dados divulgados pela Forbes, a procura por profissionais da área cresceu 21% desde 2019. Ao mesmo tempo, estimativas do Google indicam que o país pode enfrentar um déficit de 530 mil profissionais de TI até 2025.
Essa lacuna tem impacto direto na capacidade das empresas de implementarem soluções baseadas em IA de forma estratégica e sustentável. O cenário é de intensa competição por talentos altamente qualificados, muitos dos quais são atraídos por propostas internacionais, em especial via trabalho remoto. Além disso, o pequeno contingente de profissionais disponíveis exige das empresas uma atuação muito mais precisa tanto na atração quanto na retenção desses talentos.
Na Fox Human Capital, temos acompanhado esse movimento de perto por meio da nossa vertical especializada em Tecnologia. Atuamos com empresas de diversos setores que estão inseridas em processos de transformação tecnológica e que precisam não apenas preencher vagas, mas contratar estrategicamente com foco em cultura, visão de futuro e capacidade analítica. Mais do que habilidades técnicas, o momento exige perfis com forte adaptabilidade, raciocínio crítico e capacidade de colaborar em ambientes complexos e dinâmicos.
Nossa Headhunter do time de Tecnologia, Juliana Bruggemann comenta sobre isso:
“Como headhunter especializada em tecnologia, em conversas constantes com líderes da área, vejo que a escassez de profissionais em IA não é só técnica, ela revela um desafio cultural. As empresas que mais conseguem atrair e manter esses talentos são aquelas que tratam a IA como parte central do negócio, e não como um projeto isolado. Os profissionais buscam propósito, autonomia e ambiente para inovar. E contratar bem nesse cenário exige mais do que encontrar o perfil certo: exige construir um contexto onde esse talento queira estar.”
Ao mesmo tempo, percebemos que reter esse profissional vai muito além de oferecer salários atrativos ou pacotes de benefícios robustos. Ambientes inovadores, onde a IA é tratada como um pilar estratégico e não apenas como uma iniciativa isolada, tendem a engajar mais. Quando o uso de inteligência artificial está incorporado no cotidiano das equipes, com clareza de propósito e alinhamento entre áreas, o resultado é uma colaboração mais eficiente e um impacto mais tangível no negócio.
Uma das formas mais eficazes de contornar a escassez tem sido o investimento em capacitação interna. Para isso, muitas empresas adotam a estratégia de “start small, scale fast” do futurista Jim Carroll, para começar com projetos-piloto em áreas específicas, validar resultados e então escalar. Um bom exemplo é o da Stone, que começou a aplicar IA na análise de risco de crédito e, após os primeiros resultados, ampliou o uso para outros departamentos.
Além disso, a terceirização de serviços especializados, a aproximação com startups e parcerias com instituições de ensino têm sido caminhos viáveis para acelerar a maturidade digital e formar novos talentos. Nesse contexto, a Lever 4, HR Tech do nosso grupo, tem atuado como uma aliada importante, especialmente na gestão de transições de carreira e requalificação de profissionais. Por meio do nosso Programa de Recolocação, oferecemos suporte a talentos impactados por desligamentos, preparando-os para novos desafios inclusive em áreas emergentes como inteligência artificial e ciência de dados. Com isso, ajudamos empresas a manterem sua reputação empregadora e, ao mesmo tempo, contribuímos para ampliar o ecossistema de profissionais prontos para o futuro.
Apesar do desafio, há boas perspectivas. Em 2025, o Brasil registrou um crescimento de 9,5% nos investimentos em inovação, consolidando sua liderança no cenário latino-americano. No entanto, a real transformação depende de mais do que capital financeiro: exige uma revisão profunda na forma como as empresas contratam, treinam e estruturam suas estratégias digitais.
Na Fox Human Capital, acreditamos que o futuro do trabalho já começou e ele passa, inevitavelmente, por decisões conscientes no presente. Atrair talentos certos, desenvolver competências internas e promover uma cultura de inovação são ações urgentes. A inteligência artificial representa um salto tecnológico, mas o que garantirá vantagem competitiva, no fim das contas, será a inteligência humana por trás da máquina. E é justamente nesse ponto que fazemos a diferença.