Enquanto o Brasil avança na agenda da transição energética e ganha destaque mundial pela matriz majoritariamente limpa, um problema silencioso mas crescente ameaça a rentabilidade dos projetos de geração renovável: o curtailment. Curtailment é o corte ou limitação forçada da produção de energia, sobretudo em usinas solares e eólicas. Esse efeito ocorre quando a geração excede a demanda ou a capacidade de escoamento do sistema. Esse fenômeno tem ganhado força no país, principalmente no Nordeste, região com maior concentração de ativos renováveis e onde a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo da expansão geradora.
Situação atual: cortes recordes em 2025
Em junho de 2025, o curtailment bateu recorde, atingindo 28% da produção solar centralizada no Brasil e 11% na geração eólica no segundo trimestre, segundo o Bradesco BBI com base em dados do ONS.
O cenário nos estados é ainda mais expressivo:
- Solar: Bahia e Pernambuco chegaram a 40% de curtailment; Minas Gerais, 30%; e São Paulo, 14%.
- Eólica: Rio Grande do Norte registrou cortes de 24%, enquanto o Ceará chegou a 28%.
Esse aumento foi impulsionado pelo início da safra dos ventos, ocorrendo no mesmo período de pico da geração solar — combinação que escancara os gargalos estruturais do sistema elétrico brasileiro. Segundo projeções da Wood Mackenzie, o curtailment pode crescer até 300% até 2035, com a taxa média nacional saltando de 2% para 8%. No Nordeste, o corte pode alcançar 11%, enquanto no Sudeste/Centro-Oeste permaneceria em torno de 2%. Mesmo com investimentos previstos em novas linhas de transmissão, a perspectiva é de que as ampliações não sejam suficientes para conter esse avanço.
Impactos financeiros e regulatórios
O curtailment já acumula perdas impressionantes no mercado brasileiro:
- Aproximadamente R$ 1,8 bilhão em perdas totais (Equus Capital), com prejuízos que impactam diretamente a rentabilidade dos projetos.
- Entre setembro de 2023 e 2024, somente a eólica sofreu perdas de R$ 385 milhões em receita.
- Em algumas usinas, a redução forçada tem provocado queda de até 10% na receita anual.
Além do efeito operacional, há um impacto crescente em contratos e modelos de investimento. Muitos contratos antigos não preveem o curtailment, aumentando a insegurança jurídica e freando o apetite de novos investidores especialmente estrangeiros. Há ainda o risco de repasses ao consumidor final, o que poderia pressionar o custo da energia e afetar a competitividade do mercado livre.
Soluções no radar
O setor elétrico discute caminhos técnicos e regulatórios para enfrentar o “maior desafio invisível” das renováveis no Brasil. Entre as principais alternativas em debate estão:
- Ampliação das redes de transmissão
- Sistemas de armazenamento (baterias) e hibridização de usinas
- Contratos que incorporem o risco de curtailment
- Mercados de flexibilidade, semelhantes aos modelos europeus, para responder com agilidade à variação da geração
Como a Fox Human Capital pode ajudar?
Em um ambiente de mudanças estruturais profundas, a demanda por profissionais com visão sistêmica e capacidade de atuação regulatória, técnica e financeira cresce rapidamente. Empresas que conseguem atrair talentos preparados para endereçar o curtailment e transformá-lo em vantagem competitiva saem na frente na corrida pela estabilidade e performance dos ativos.
A Fox Human Capital acompanha de perto essa evolução do mercado de Energia e está posicionada para conectar empresas aos profissionais que dominam os novos riscos e as oportunidades da matriz renovável brasileira.