O governo brasileiro avalia a construção de uma nova super linha de transmissão elétrica, capaz de levar energia renovável produzida no Nordeste para centros consumidores do Sul e Sudeste. O projeto, conhecido no setor como Corredor Expresso Bipolo Nordeste 2, está em fase de estudos e poderia representar um dos maiores investimentos recentes em infraestrutura energética no país. Estimado em cerca de R$ 17 bilhões, o empreendimento teria como objetivo ampliar a capacidade do sistema de transmissão e reduzir desperdícios de energia gerada por fontes renováveis. (Brazil Journal).
A proposta prevê uma conexão de longa distância entre Angicos (Rio Grande do Norte) e Itaporanga (Paraná), cruzando boa parte do território brasileiro e ampliando a capacidade de transporte de energia solar e eólica produzida no Nordeste, região que concentra grande parte dos parques renováveis do país.
O projeto surge em um contexto em que o crescimento acelerado das renováveis no Nordeste tem gerado desafios estruturais para o sistema elétrico. Em diversos momentos do dia, usinas solares e eólicas precisam reduzir ou interromper a produção porque a rede de transmissão não consegue absorver toda a energia gerada. Esse fenômeno é conhecido como curtailment.
Em 2025, o Brasil chegou a desperdiçar cerca de 20% da energia eólica e solar produzida, segundo estimativas de consultorias do setor, gerando perdas de aproximadamente R$ 6,5 bilhões em receitas para as empresas de geração.
Em análise anterior conduzida por nossa headhunter do time de Energia & Infraestrutura, Gabriela Salles, já havíamos destacado os desafios estruturais relacionados ao escoamento da geração renovável no país. (Fox Human Capital)
Como ela apontou na ocasião: “essa energia limpa que está sendo desperdiçada poderia estar sendo reaproveitada e ela não é”, evidenciando um dos principais gargalos da expansão da energia solar e eólica no Brasil.
O contraponto tecnológico: a ascensão do mercado de baterias
Enquanto o projeto de transmissão ainda está em fase de avaliação no Ministério de Minas e Energia (MME), outro movimento avança em paralelo: o desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia por baterias no Brasil.
O MME já abriu consulta pública para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia do país, previsto para ocorrer no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP). A iniciativa busca contratar baterias conectadas ao sistema elétrico para garantir maior estabilidade e flexibilidade na operação da rede. (SolarPro)
No setor, especialistas apontam que esse leilão pode ocorrer em um prazo significativamente menor do que o necessário para planejar, licitar e construir uma linha de transmissão de milhares de quilômetros. Além disso, o mercado brasileiro de armazenamento tem atraído empresas internacionais, especialmente fabricantes chineses, que dominam grande parte da tecnologia global de baterias e oferecem equipamentos a custos competitivos.
Infraestrutura versus armazenamento
A coexistência desses dois movimentos levanta uma discussão estratégica para o setor energético: qual será o papel relativo da expansão da transmissão e do armazenamento na integração das renováveis?
Linhas de transmissão de longa distância ampliam a capacidade de escoamento da energia e conectam regiões com perfis diferentes de produção e consumo. Já os sistemas de baterias permitem armazenar energia em momentos de excesso de geração e liberá-la quando a demanda aumenta, reduzindo a necessidade de cortes de produção.
No caso brasileiro, onde a expansão da energia solar e eólica ocorre em ritmo acelerado, a combinação dessas duas soluções pode se tornar um fator central para garantir eficiência no sistema e segurança energética nos próximos anos.
Um tema estratégico para o futuro da energia
Para o mercado de infraestrutura, energia e tecnologia, a discussão sobre o linhão e o avanço das baterias evidencia um ponto central da transição energética: não basta ampliar a geração renovável, é necessário modernizar a rede e investir em soluções que permitam integrar essa produção ao sistema elétrico de forma eficiente.
Nesse contexto, decisões sobre grandes projetos de transmissão, novos leilões de armazenamento e investimentos em tecnologia energética tendem a influenciar não apenas o setor elétrico, mas também cadeias industriais, investimentos internacionais e o planejamento energético de longo prazo do Brasil.
A Fox Human Capital acompanha de perto esses movimentos e seus impactos no mercado. omo consultoria especializada em recrutamento executivo e inteligência de mercado, mantemos uma leitura constante das tendências que estão redefinindo setores estratégicos da economia, conectando empresas às lideranças capazes de conduzir transformações estruturais em um ambiente cada vez mais dinâmico.