Enchentes no Sul, secas severas que assolam o país, crescimento de quase 80% das áreas queimadas no Brasil. Esses eventos, juntos, representam uma parte do cenário de crise ambiental e climática. Como um problema não só nacional, mas mundial, a instabilidade meteorológica vem em resposta aos impactos que o meio ambiente sofre, principalmente com a ação do homem.
O setor de agronegócio, neste sentido, precisa achar um jeito de equilibrar a sua atividade a fim de gerar bons resultados e, ao mesmo tempo, gerir sem agredir massivamente a natureza. Como uma área de contato direto com a terra, mas de grande relevância para a economia brasileira, a solução é apostar na sustentabilidade. Afinal, a pressão de consumidores, mercados internacionais e legislações ambientais está exigindo uma mudança profunda no modo de produção e no perfil de liderança rural.
O Agro e a Sustentabilidade: uma nova exigência do mercado
No contexto atual, é fundamental que as lideranças assumam uma postura comprometida com a responsabilidade social e com a melhoria do desempenho ambiental, antes que o quadro de crise caminhe para uma direção irreversível. Lidar com a sustentabilidade, então, requer competências específicas que podem ser trabalhadas pelos indivíduos de uma empresa.
De acordo com uma pesquisa produzida pela Revista Brasileira de Gestão de Negócios (RBGN) em 2020, as características que uma liderança sustentável deve apresentar são pontuadas por diversos autores. Porém, no final, elas se resumem a um aspecto essencial: equilibrar valores sociais, ambientais e econômicos, de forma que o desenvolvimento humano e o meio ambiente sejam valorizados sem negligenciar a importância do capital financeiro e estrutural das organizações.
Ainda, quando os colaboradores são guiados por uma profunda identificação com a natureza, seus valores pessoais se tornam aliados na criação de práticas sustentáveis, garantindo uma dinâmica de organização mais fluida. A eficácia vem da interdependência balanceada entre esses pilares, somando o entendimento da produção até a comercialização. Outras competências necessárias, referentes à aplicação prática desses princípios, são:
- Visão estratégica alinhada à sustentabilidade: Planejamento de longo prazo que incorpora práticas para preservação dos recursos naturais e desenvolvimento sustentável, além de capacidade de antecipar tendências e demandas do mercado;
- Conhecimento técnico e inovação: Atualização constante em tecnologias agrícolas, como agricultura de precisão, biotecnologia e uso de sensores inteligentes, para aumentar a eficiência e reduzir impactos ambientais. Isso permite ao líder fazer escolhas informadas sobre técnicas de cultivo e gestão de recursos, além de se manter atualizado em metodologias.
- Habilidade de comunicação: Capacidade de transmitir claramente a visão e objetivos, escuta ativa, feedback construtivo e comunicação adaptada a diferentes públicos, fortalecendo a confiança e o trabalho colaborativo;
- Capacidade de tomada de decisão: Saber como se portar diante das situações oscilantes dentro do setor de agro, já que estão suscetíveis a mudanças devido a fatores climáticos, econômicos ou de mercado, demanda uma combinação de análise de dados, experiência prática e intuição;
- Capacitação contínua: Participação em cursos, treinamentos e redes de networking para ampliar competências pessoais e interpessoais fortalece a representatividade e habilidades de liderança dos produtores rurais.
Um exemplo de como a incorporação de uma gestão sustentável funciona, uma notícia da CNN expõe que uma fazenda de soja, no Mato Grosso do Sul, aderiu a um programa de regeneração ambiental em 2024. Esse programa consiste em uma série de modificações nas técnicas de cultivo, como a substituição de produtos aplicados na plantação e a diminuição no uso de defensivos agrícolas.
Em apenas um ano da implementação, que foi aplicada sobre 15% da fazenda, o programa registrou uma redução de mais de 50% nas emissões de carbono. Ou seja, além da qualidade do cultivo ter aumentado, não foi preciso de muitos recursos para tal.
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A partir desse caso, podemos concluir que adotar práticas sustentáveis pode exigir investimentos iniciais significativos, mas os benefícios a médio e longo prazo tornam essa transição do tradicional para o sustentável não apenas viável, mas estratégica. O acesso a linhas de crédito específicas para projetos sustentáveis, programas de incentivo governamentais e o avanço das tecnologias verdes, também, vêm facilitando esse processo de adaptação.
Logo, em um setor tão dinâmico e desafiador como o agronegócio, contar com uma liderança eficaz é essencial para garantir o sucesso e a sustentabilidade das operações. Investir no desenvolvimento de competências-chave e no aprimoramento contínuo das habilidades de liderança pode ser o diferencial na superação de obstáculos e na identificação de oportunidades em um mercado em constante transformação.