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Segurança operacional e ESG: o novo perfil das posições críticas offshore

A segurança operacional e os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) são aspectos cada vez mais integrados à estratégia das empresas portuárias e de energia, à medida em que há o aumento da visibilidade sobre pautas ambientais, sociais e de governança – mais do que a preocupação com o meio ambiente, as condições de trabalho e o bem-estar dos profissionais são de tanta relevância quanto. Por esse motivo, os seus impactos reais já são percebidos no mercado, sendo reconhecidos como fundamentais nas decisões de investimento e impondo mudanças radicais ao setor empresarial.

Segundo um levantamento realizado pela EY, 78% dos investidores entrevistados acreditam que as empresas devem fazer investimentos que abordem questões de ESG relevantes para seus negócios, mesmo que isso reduza os lucros no curto prazo. Logo, é essencial compreender como essas exigências moldam o novo perfil das posições críticas offshore, refletindo uma evolução na gestão das operações de exploração e produção de petróleo e gás em ambientes marítimos.

Segurança Operacional no Ambiente Offshore

A segurança operacional na atividade offshore, nesse contexto, requer o cumprimento de normas regulamentadoras e legislações específicas do setor que, no Brasil, abrange normas de segurança até a gestão de riscos no trabalho.

As Normas Regulamentadoras (NRs) brasileiras, especialmente a NR-37, focam na segurança e saúde em plataformas de petróleo, definindo requisitos para proteção dos trabalhadores em ambientes de alto risco. A NR-06, por sua vez, determina o uso e manutenção adequada de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), enquanto a NR-33 regula as atividades em espaços confinados, fundamentais para prevenir acidentes graves offshore.

Inclusive, você sabia que uma das Normas Regulamentadoras foi atualizada e passa a incluir a gestão de riscos psicossociais? Acesse este link para entender melhor! 

Além do cumprimento dessas, a garantia da proteção e saúde ocupacional depende de programas de gestão, como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Laudo Técnico de Insalubridade e Periculosidade (LTIP), que, pelo próprio nome, mapeiam, identificam e monitoram todo e qualquer risco que comprometa a vida do trabalhador. O site da Amblegis traz cada programa com descrição detalhada.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que exige a aprovação da Documentação de Segurança Operacional (DSO) para o início das atividades em unidades marítimas e terrestres, também se enquadra como uma importante ferramenta para o cuidado de cargos críticos nas empresas de offshore. Todo ano, o órgão emite um relatório elaborado pela Superintendência de Segurança Operacional (SSO) com o fim de promover práticas seguras e sustentáveis nesse setor e expor dados das operações brasileiras.

Por mais que sejam muitos aparatos determinados por lei, todos eles são essenciais para proporcionar um ambiente saudável e aqueles expostos em setores de risco. O não cumprimento dessas medidas pode implicar em multas e penalidades em diferentes graus, na suspensão de operações na empresa ou até mesmo na responsabilização civil e criminal de gestores por negligência.

Portanto, mesmo que investir em segurança operacional represente um custo significativo, os riscos associados à sua negligência são incomparavelmente maiores, tanto do ponto de vista legal quanto humano. Afinal, o preço de ignorar as normas vai além das multas e sanções: ele pode custar vidas.

ESG e o Novo Perfil das Posições Críticas Offshore

O conceito de ESG tem ganhado importância estratégica na indústria offshore, e vale relembrar o significado da sigla: O pilar ambiental envolve práticas como gestão de resíduos e controle de vazamentos para a preservação ambiental. O pilar social foca na segurança, bem-estar dos trabalhadores e impacto positivo nas comunidades. Já a governança exige conduta ética, conformidade regulatória e auditorias eficazes, principalmente no setor offshore.

O objetivo, sob essa perspectiva, é promover um modelo de gestão de negócios mais consciente dentro das companhias. E, claro, isso traz benefícios diversos ao aplicá-la com uma boa execução. Quando as áreas passam a trabalhar de maneira mais estratégica, aumentando a felicidade e produtividade dos colaboradores, menor é o risco de turnover e maior é o de lucratividade.

Um outro ponto importante é a reputação da marca, que, ao estar alinhada às demandas atuais e se posicionar favoravelmente às causas, pode fortalecer a sua imagem diante do mercado e despertar o interesse de seu público-alvo. O compromisso com a responsabilidade social e a redução de riscos ao colaborador passam a ser fatores decisivos para o seu negócio.

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Impactos Práticos para as Posições Críticas Offshore

Com a incorporação dos critérios ESG e de segurança operacional, o perfil das posições críticas offshore tem se transformado para incluir competências técnicas alinhadas à sustentabilidade e à governança responsável. Isso implica:

  1. Maior ênfase na formação e capacitação dos profissionais para identificar e gerenciar riscos ambientais e sociais, além dos operacionais tradicionais.
  2. Implementação de sistemas de gestão integrados que combinam segurança operacional com indicadores ESG, promovendo uma cultura de prevenção e responsabilidade socioambiental.
  3. Participação ativa em auditorias internas e externas que avaliem não apenas a conformidade técnica, mas também o desempenho em sustentabilidade e governança, como destacado no desafio da ANP para aprimorar auditorias e reduzir não conformidades críticas.
  4. Necessidade de comunicação eficaz e transparência nas operações, reforçando a confiança dos stakeholders e garantindo a continuidade dos negócios em um cenário regulatório e de mercado cada vez mais exigente.

 

Tendo em vista os impactos práticos, Caio Guarino, headhunter especializado no setor de O&G da Fox Human Capital, comenta sobre o assunto: 

“Como headhunter especializado na indústria de óleo e gás, tenho acompanhado de perto a evolução das exigências do setor, especialmente no que diz respeito aos critérios de ESG e segurança operacional. 

A longo prazo, acredito que a principal contribuição da ESG é tornar indissociável a sustentabilidade da operação. Ou seja, não se trata mais apenas de evitar penalidades ou responder a exigências regulatórias, mas sim de garantir a viabilidade do negócio em um mercado cada vez mais exigente e transparente. Isso tem exigido também profissionais mais preparados, com uma visão técnica integrada a valores éticos, ambientais e sociais.

No ambiente offshore, essa integração entre segurança operacional e ESG redefine o perfil das posições críticas. Num ambiente de muitas urgências, que exige cuidado redobrado e muito preparo, não basta apenas cumprir normas; é preciso entender o papel estratégico da conformidade e da responsabilidade socioambiental nas decisões diárias.”

De acordo com estudos da Wilson,Sons, a expectativa é de que neste ano (2025) os projetos que favorecem os conceitos de ESG alcancem mais de um terço do mercado internacional. Com isso, a segurança operacional offshore não pode mais ser vista isoladamente; ela está intrinsecamente ligada aos princípios ESG, que moldam o novo perfil das posições críticas no setor. Profissionais dessas áreas precisam dominar não apenas aspectos técnicos de segurança e saúde, mas também incorporar práticas ambientais sustentáveis, responsabilidade social e governança ética para garantir operações seguras, eficientes e alinhadas às demandas contemporâneas do mercado e da sociedade.

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