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Aumento da Tarifa de Energia no Mercado Regulado

O custo da energia elétrica, historicamente tratado como uma despesa operacional fixa, ascendeu a um desafio estratégico de alta relevância para a competitividade empresarial no Brasil. A escalada das tarifas no mercado regulado (ou cativo) tem impactado diretamente o planejamento financeiro e a rentabilidade das organizações, exigindo uma nova abordagem por parte da liderança.

A disparada das tarifas no mercado regulado

O mercado regulado é o ambiente onde o fornecimento de energia é realizado por concessionárias locais sob um regime de monopólio regional, com preços e revisões periódicas definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Os consumidores nesse ambiente, conhecidos como “cativos”, estão vinculados à distribuidora de sua região e não têm a liberdade de escolher seus fornecedores.

Uma análise feita pela Abraceel do período entre 2010 e 2024 revela uma dinâmica desafiadora. Nesse intervalo, a tarifa de energia no mercado regulado no Brasil experimentou um aumento de 177%, passando de R$ 112/MWh para R$ 310/MWh. Essa elevação é ainda mais alarmante quando comparada à inflação. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou um crescimento de 122%, o que significa que o aumento da tarifa foi 45% superior à inflação.

A disparidade entre o aumento da tarifa e a inflação não é aleatória e nem impulsionada pela operação básica de transporte e distribuição da energia. Dados do setor fornecidos pela Energy Alliance indicam que, entre 2010 e 2023, a parcela de distribuição da tarifa cresceu 76,5%, um ritmo que se manteve abaixo da inflação acumulada. Por outro lado, o componente de encargos setoriais e subsídios cresceu a uma taxa de 240,5% no mesmo período, mais que o dobro do ritmo da inflação. Isso demonstra que o problema fundamental do mercado regulado não está na eficiência da infraestrutura, mas sim no inchaço de custos alheios à operação, que são integralmente repassados ao consumidor final. 

E como isso impacta as empresas? O efeito é claramente negativo: custos mais altos comprimem margens e reduzem a competitividade, especialmente em setores intensivos em energia. Muitas vezes, sobra às empresas a difícil escolha entre repassar o aumento ao preço final ou absorver a perda de rentabilidade. O único aspecto positivo é que esse cenário funciona como catalisador, acelerando a busca por alternativas como o mercado livre ou a autogeração.

Na prática, o aumento recaiu sobre quem compra, não sobre quem fornece. A distribuição se manteve eficiente, mas os encargos adicionais foram repassados integralmente ao consumidor. O resultado é previsível: maior pressão no caixa das empresas, planejamento mais incerto e um incentivo cada vez mais forte para migrar em busca de previsibilidade e controle de custos

A migração para o mercado livre de energia oferece vantagens estratégicas: economia de até 35%, previsibilidade de custos com contratos de longo prazo, melhoria do posicionamento ESG através da escolha por fontes limpas, e flexibilidade para negociar contratos e até comercializar o excedente de energia. (Fonte: Grupo Quanta) 

 

Valores estruturais e conjunturais 

Diversos elementos contribuem para a escalada dos custos no mercado regulado, um deles sendo a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).  A CDE é um fundo setorial criado com o objetivo de financiar diversos programas, como o programa Luz para Todos, a Tarifa Social de Energia Elétrica, e o incentivo a fontes de energia renovável e a matriz de carvão mineral nacional. 

A natureza do problema é que a CDE é financiada majoritariamente pelos próprios consumidores de energia, o que aumenta o peso da tarifa, afetando diretamente a competitividade do setor manufatureiro e encarecendo os produtos finais, com reflexos até na cesta básica.

Além disso, a estrutura de contratação das distribuidoras, baseada em contratos de longo prazo indexados à inflação, gera custos fixos que nem sempre acompanham as condições mais competitivas do mercado. Soma-se a isso a tarifa de repasse da Itaipu Binacional, definida em dólares, o que traz risco cambial direto ao consumidor.

Outro ponto é o risco hidrológico: em períodos de seca, é necessário acionar usinas térmicas, mais caras, ativando o sistema de bandeiras tarifárias e adicionando imprevisibilidade à fatura.

As mudanças do mercado de energia no Brasil

A ideia de que o mercado livre de energia é exclusivo para grandes indústrias está mudando rapidamente. O setor vive um ponto de inflexão regulatório, impulsionado pela MP 1.300/2025, que definiu um cronograma claro para a abertura total do mercado.

De acordo com a CCEE, desde janeiro de 2024, consumidores do Grupo A (alta e média tensão) com demanda acima de 0,5 MW já podem migrar. Em agosto de 2026, a abertura alcançará indústrias e comércios de baixa tensão, e em dezembro de 2027 será estendida a todos os consumidores, incluindo residências. 

Apesar da baixa penetração histórica, apenas 0,07% dos consumidores, o cenário está mudando. Só nos primeiros seis meses de 2025, a migração de pequenas e médias empresas cresceu 17 vezes em relação a 2023, sinalizando que a análise da transição já se tornou um diferencial competitivo para empresas que buscam reduzir custos e ampliar a previsibilidade.

O novo papel do C-Level na gestão de energia

A gestão de energia deixa de ser uma tarefa relegada ao setor de compras ou operações e se torna um item na agenda do C-Level. O aumento constante das tarifas no mercado regulado, com seus riscos e imprevisibilidade, afeta a competitividade e a capacidade de planejamento de longo prazo. A previsibilidade de custos obtida no mercado livre, por meio de contratos fixos, permite um planejamento orçamentário mais robusto e a realocação de capital para investimentos estratégicos. A inércia não é mais uma opção viável para empresas que buscam manter-se competitivas.

Empresas que se antecipam à mudanças do mercado e buscam um modelo de contratação mais estratégico terão uma vantagem competitiva considerável. A Fox Human Capital se posiciona como um parceiro estratégico, auxiliando líderes a entender e navegar por essa transição, garantindo que a gestão de capital humano e a estratégia de negócios estejam alinhadas para capitalizar as oportunidades do novo cenário energético.

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